"Seu traseiro não é tão grande assim": a resposta de uma cantora famosa a comentários sexistas e racistas.

Às vezes, uma única frase basta para destacar questões muito mais amplas. Recentemente, a cantora Theodora respondeu com força e humor a comentários sexistas e racistas sobre seu corpo. Sua reação lança luz sobre uma realidade persistente para as mulheres negras na música francesa.

Comentários sobre o corpo dela que estavam longe de ser inocentes.

Theodora, conhecida pelo sucesso "Kongolese sous BBL", compartilhou sua experiência com os comentários que têm marcado sua carreira: "Seu bumbum não é tão grande assim". Por trás desse comentário, há muito mais do que um simples julgamento: é a expressão de uma visão exotizante e redutora, onde o corpo de uma mulher negra é julgado e categorizado antes mesmo de sua arte ser ouvida. Esse tipo de comentário reduz seu trabalho como cantora e compositora a um objeto de análise física, ignorando a criatividade, a técnica e o humor já presentes em sua trajetória artística.

Apresentadas como "piadas" ou "opiniões", essas observações nunca são inocentes. Elas contribuem para a normalização da violência cotidiana, onde mulheres negras são frequentemente percebidas principalmente como corpos a serem julgados, em vez de artistas a serem admiradas. E é justamente isso que Theodora denuncia: a necessidade de lembrar às pessoas que sua arte não se limita à sua aparência.

Misoginoir: Quando o sexismo e o racismo se cruzam

Ao falar de "caras racistas", Theodora se refere a um fenômeno específico: a misoginia contra mulheres negras. Esse termo, já utilizado por artistas como Aya Nakamura e Yseult, descreve uma forma específica de discriminação contra mulheres negras, na qual sexismo e racismo se combinam. O talento dessas artistas é questionado, seus sucessos minimizados e seus corpos examinados minuciosamente de todos os ângulos.

Theodora explica que precisa "lutar cinco vezes mais" para existir na indústria musical francesa. Essa realidade evidencia o esforço extra que artistas negros precisam fazer para obter reconhecimento e como sua visibilidade permanece frágil diante de estereótipos persistentes. Sua história, longe de ser um simples desabafo pessoal, ecoa a de muitas mulheres que, diariamente, precisam afirmar sua legitimidade.

Uma mensagem política transmitida através da música.

O que torna a abordagem de Theodora particularmente inspiradora é como ela transforma suas redes sociais e entrevistas em uma plataforma. Cada palavra que ela profere se torna uma forma de apoio para aqueles que se sentem invisíveis. Ela explica que sua voz ressoa especialmente com "muitas jovens negras", que se veem refletidas em sua imagem e em sua história.

Essa dimensão política não é novidade no mundo da música: muitos artistas negros usam sua fama para promover mudanças culturais. A própria Theodora afirma que, na música, eles agora têm "mais poder do que na política" para mudar mentalidades. Seu ativismo demonstra que a visibilidade e a autoafirmação são ferramentas poderosas para desmantelar estereótipos e promover a igualdade.

Um sucesso que desafia estereótipos

Apesar das críticas e comentários inadequados, Theodora continua a ser um enorme sucesso. Seus hits não param de chegar, seus shows esgotam e seus anúncios de apresentações em grandes casas de espetáculos e festivais comprovam que seu talento é amplamente reconhecido. Esse sucesso refuta todas as narrativas redutivas que tentam limitá-la à sua aparência ou reduzi-la a uma caricatura. Theodora mostra que uma mulher negra pode impor seu próprio estilo, sua música e sua imagem sem precisar se desculpar por ser quem é. Ela transforma críticas em força, e suas escolhas artísticas se tornam declarações de liberdade e autoafirmação.

Em última análise, a resposta de Theodora aos comentários sexistas e racistas é muito mais do que uma piada viral: é uma mensagem clara para todos aqueles que lutam para serem ouvidos e respeitados. Ela demonstra que é possível ter sucesso em um ambiente ainda marcado por estereótipos, sem deixar de ser fiel a si mesma. Ela nos lembra que nem o humor inadequado nem o preconceito devem sufocar a criatividade e a voz das mulheres.

Fabienne Ba.
Fabienne Ba.
Sou Fabienne, redatora do site The Body Optimist. Sou apaixonada pelo poder das mulheres no mundo e pela capacidade que elas têm de transformá-lo. Acredito que as mulheres têm uma voz única e importante a oferecer, e me sinto motivada a fazer a minha parte para promover a igualdade. Faço o possível para apoiar iniciativas que incentivem as mulheres a se manifestarem e serem ouvidas.

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