Nas redes sociais, uma contraofensiva feminista está se organizando contra o discurso masculinista. Com campanhas inovadoras, discursos inspiradores e ferramentas educativas, essa resposta oferece uma visão diferente da masculinidade: mais livre, mais respeitosa e infinitamente mais desejável.
Uma crescente influência masculinista
Há vários anos, figuras autoproclamadas de "masculinidade alfa" vêm atraindo muitos jovens em busca de modelos a seguir. Sua retórica promete poder, domínio e sucesso, ao mesmo tempo que retrata o feminismo como o inimigo número um. O resultado: uma autoimagem baseada na rivalidade, no medo do fracasso e em uma masculinidade rígida e pouco satisfatória.
Estudos recentes demonstram a extensão dessa influência. A maioria dos jovens adultos relata conhecer esses criadores de conteúdo, e uma parcela significativa acompanha seus vídeos regularmente. Muitos acreditam que essas narrativas "finalmente contam a verdade" e reforçam a ideia de que a sociedade se tornou hostil aos homens. Esse clima alimenta uma sensação de crise de identidade, onde a vulnerabilidade é percebida como fraqueza e a empatia como ameaça.
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Quando códigos virais são reaproveitados para o bem.
Diante dessa onda, a resposta feminista não se limita a denunciá-la: ela inova. Campanhas criadas para as redes sociais subvertem os próprios códigos desses influenciadores dominados por homens. Utilizando formatos familiares, personagens carismáticos e mensagens curtas, elas disseminam valores positivos como respeito, consentimento e responsabilidade.
Essa estratégia é brilhante: em vez de se confrontarem diretamente, essas campanhas se infiltram nos mesmos espaços digitais e semeiam ideias positivas. O objetivo não é incutir culpa, mas oferecer modelos inspiradores onde a força é equilibrada com a gentileza e onde a autoconfiança é construída por meio da cooperação, não da dominação.
Pais que estão se manifestando novamente
Entretanto, iniciativas mais pessoais estão surgindo. Por exemplo, o ator britânico Stephen Graham, criador da série "Adolescence", lançou " Cartas para Nossos Filhos " com a psicóloga Orly Klein. Este projeto convida pais de todo o mundo a escreverem para seus filhos sobre masculinidade livre das normas de gênero tradicionais, compartilhando experiências e reflexões pessoais. Com lançamento previsto para breve em formato de livro, o projeto visa "restaurar o diálogo autêntico e combater a influência do discurso de ódio online".
Essas palavras paternas nos lembram de uma verdade essencial: não existe uma única maneira de ser homem. Existem tantas masculinidades quanto indivíduos, e cada uma merece ser plenamente acolhida, sem vergonha ou pressão. É nessa diversidade que encontramos riqueza, criatividade e equilíbrio.
A educação, um pilar para uma mudança duradoura.
A educação também desempenha um papel central nessa transformação. Apesar das obrigações legais de ensinar sobre a vida emocional, relacional e íntima nas escolas, esses programas muitas vezes permanecem insuficientes. Associações estão, portanto, se mobilizando para destacar a necessidade urgente de educar os jovens sobre respeito, igualdade e relacionamentos saudáveis. Internacionalmente, algumas reformas educacionais já estão integrando esses temas desde a mais tenra idade, reconhecendo que a prevenção começa com conhecimento e diálogo.
Em última análise, ao combinar ações digitais, projetos culturais e demandas educacionais, essa resposta feminista vislumbra uma sociedade mais justa e alegre. Ela convida meninos e homens a se libertarem de expectativas sufocantes, cultivarem sua sensibilidade e abraçarem uma masculinidade que celebre o respeito por si mesmo e pelos outros. Porque ser homem hoje é, acima de tudo, ter a coragem de ser plenamente humano.
