Embora o sol seja essencial para a vida e proporcione inúmeros benefícios — síntese de vitamina D, efeito antidepressivo e ação terapêutica em certas doenças de pele como a psoríase — ele também representa uma ameaça significativa para a nossa pele quando não é devidamente protegido. Com a chegada do clima mais quente, a Associação Nacional Francesa de Dermatologistas e Venereologistas (SNDV) enfatiza a importância do uso de proteção solar adequada em todas as circunstâncias. De acordo com os profissionais da SNDV, o primeiro passo é avaliar com precisão o seu tipo de pele, fototipo e a intensidade da exposição solar a que você estará sujeito.
Os riscos da exposição excessiva ao sol.
A curto prazo, as consequências da exposição solar excessiva ou prolongada são visíveis: a famosa queimadura solar, uma queimadura superficial causada pelos raios UVB, reflete o dano direto às células da epiderme. Mas são os efeitos a longo prazo que mais preocupam os dermatologistas. A exposição solar repetida leva a alterações moleculares no genoma celular, que são apenas parcialmente reparadas pelo organismo. Esse acúmulo resulta, ao longo dos anos, no envelhecimento acelerado da pele, no aparecimento de manchas senis e, sobretudo, em um risco aumentado de câncer de pele, sejam carcinomas ou melanomas, sendo este último o mais agressivo.
O conceito de "capital solar"
Para melhor compreender as precauções necessárias, os dermatologistas utilizam uma imagem elucidativa: a do "capital solar", comparável a uma "carteira de habilitação com pontos". Cada indivíduo nasce com uma quantidade limitada desse capital, que não pode ser reposta. Cada exposição sem proteção o esgota. Daí a importância de conservar esse capital ao longo da vida e de redobrar a vigilância quando se tem pele clara ou se está exposto à luz solar intensa. Essa lógica dita que devemos considerar a proteção solar não apenas durante as férias, mas também em nosso dia a dia.
Conhecer seu fototipo é o primeiro passo.
Para escolher a proteção adequada, é essencial identificar o seu fototipo, ou seja, a sensibilidade natural da sua pele ao sol.
- O fototipo I corresponde à pele muito clara, às vezes coberta de sardas, acompanhada de cabelos ruivos: essas pessoas sofrem queimaduras solares sistematicamente.
- O fototipo II refere-se à pele clara com cabelo loiro veneziano ou ruivo, que frequentemente fica avermelhado, mas pode bronzear.
- O fototipo III inclui pele clara que só fica vermelha em caso de exposição intensa.
- O fototipo IV refere-se à pele escura, raramente propensa a queimaduras solares. Quanto menor o fototipo, maior a necessidade de proteção.
Boas práticas para fotoproteção
Conhecer o seu tipo de pele é um bom começo, mas é a adoção dos hábitos diários corretos que faz a diferença.
- Dermatologistas recomendam fortemente evitar qualquer exposição solar entre o meio-dia e as 16h, período em que a luz solar é mais intensa e mais prejudicial.
- Ao ar livre, o melhor é permanecer na sombra, seja ela natural (debaixo de uma árvore) ou artificial (debaixo de um guarda-sol).
- O vestuário de proteção também desempenha um papel vital: um chapéu de aba larga, óculos de sol e roupas com proteção UV constituem a primeira linha de defesa.
- Além disso, nas áreas expostas, deve-se aplicar regularmente um protetor solar adequado.
Escolher o produto certo com base na exposição.
Desde 2006, os protetores solares são classificados em quatro categorias com base no seu FPS: baixo (FPS 6 a 14), médio (15 a 29), alto (30 a 50) e muito alto (50+). A escolha depende do seu tipo de pele e da intensidade da exposição solar. Para exposição extrema — geleiras, regiões tropicais, longos dias na praia — recomenda-se proteção muito alta, especialmente para peles claras. Observe que o nível de proteção diminui significativamente se uma quantidade insuficiente for aplicada: portanto, aplique generosamente e reaplique a cada duas horas, bem como após nadar ou transpirar intensamente.
Atenção especial às crianças
A proteção solar infantil requer atenção especial. Sua pele mais frágil é mais suscetível a danos permanentes. O cumprimento rigoroso dos tempos de exposição solar é essencial, assim como o uso de roupas de proteção adequadas. Dermatologistas recomendam o uso de protetores solares à base de minerais, que são mais bem tolerados e oferecem maior proteção para a pele delicada. É importante lembrar também que o uso de protetor solar, mesmo de alta proteção, nunca deve incentivar a exposição prolongada ao sol.
Preservar as defesas naturais da pele contra o sol passa, antes de mais nada, por uma abordagem consciente e sustentável em relação à exposição solar. Combinando conhecimento sobre a sua pele, práticas de proteção solar e produtos adequados, todos podem desfrutar do sol com segurança. Segundo dermatologistas, o foco principal deve ser uma proteção abrangente e cuidadosa, aplicada durante todo o ano.
