Transformações, rotinas de cuidados com a pele prolongadas, uma obsessão pelo "rosto perfeito"... nos últimos meses, uma nova palavra tem dominado o TikTok e as redes sociais: "lookmaxxing feminino". Por trás desse termo com sonoridade quase futurista, esconde-se uma tendência muito real, que leva algumas jovens a otimizarem sua aparência nos mínimos detalhes. E embora cuidar de si mesma possa ser positivo, essa busca pela perfeição começa a levantar questões sérias.
Uma tendência que teve origem na internet.
"Looksmaxxing" vem da contração em inglês de "looks" (aparência) e "maximizing" (maximizar). A ideia? Tornar-se a versão "mais atraente" possível de si mesmo através da acumulação de técnicas de beleza, condicionamento físico ou estética. Originalmente, o fenômeno circulava principalmente em comunidades online masculinas. Hoje, sua contraparte feminina está explodindo nas redes sociais, particularmente entre adolescentes e mulheres jovens.
Quando a beleza se torna um "projeto"
O princípio do "aprimoramento da aparência feminina" baseia-se na melhoria contínua: rotinas de cuidados com a pele ultraprecisas, aconselhamento nutricional, exercícios para "esculpir" o rosto, maquiagem estratégica, cuidados intensivos com os cabelos e procedimentos cosméticos cada vez mais comuns. Cada detalhe do corpo se torna um "projeto de otimização".
No TikTok, vídeos associados ao fenômeno frequentemente prometem um espetacular "antes e depois". Alguns criadores de conteúdo compartilham listas intermináveis de hábitos supostamente destinados a torná-los mais atraentes: melhor postura, dentes "mais brancos", "pele de vidro", sobrancelhas "perfeitamente" desenhadas ou até mesmo a redução de "imperfeições" faciais. Essa abordagem às vezes transforma o bem-estar em uma verdadeira busca pela perfeição estética.
@merithrah POV: Você é nota 10+ e nem sabe disso ainda. Link do e-book na minha bio🪽 #fyp #glowup ♬ Originalton - CAXRBON
Padrões que estão se tornando cada vez mais difíceis de alcançar.
O problema, segundo muitos especialistas, é que essa tendência muitas vezes se baseia em padrões irreais. Filtros, retoques e algoritmos criam uma impressão de perfeição constante, difícil de alcançar na vida real. Como resultado, algumas jovens desenvolvem uma relação mais rígida com a própria imagem, com a sensação de que precisam sempre "corrigir" algo.
O que também preocupa é a dimensão psicológica desse fenômeno. Comparar constantemente o próprio rosto ou corpo com modelos ultraperfeitas pode corroer rapidamente a autoconfiança. A beleza, então, deixa de ser um espaço para expressão pessoal e passa a ser uma busca incessante por um ideal imposto. E nas redes sociais, essa pressão pode se tornar algo cotidiano.
Diante do fenômeno da "otimização da aparência feminina", um número crescente de vozes clama por uma abordagem mais matizada no discurso sobre beleza online. Um rosto não precisa ser "otimizado" para ter valor, e a autoconfiança jamais deveria depender de um algoritmo ou de uma tendência viral. Querer cuidar de si mesma é perfeitamente normal; contudo, o perigo surge quando a aparência se torna uma fonte constante de ansiedade ou uma necessidade de validação.
