A história dele vai muito além da pista de gelo. A trajetória de Tyler McGregor, uma figura importante no hóquei paralímpico canadense, ilustra uma força mental forjada na adversidade e uma dedicação total ao esporte de alto nível.
Uma vida virada de cabeça para baixo em uma idade muito jovem.
Na adolescência, Tyler McGregor foi diagnosticado com uma forma rara de câncer ósseo. Para interromper a progressão da doença, foi necessária uma amputação parcial da perna. Numa idade em que muitos sonham apenas com competições acadêmicas, ele teve que reaprender a andar e, em seguida, considerar o retorno ao esporte. Esse revés abrupto poderia ter acabado com suas ambições. Em vez disso, tornou-se o ponto de partida para um novo caminho, construído em torno de uma disciplina exigente: o hóquei no gelo paralímpico, a versão paralímpica do hóquei.
O para-hóquei como motor para a reconstrução.
Rapidamente, Tyler McGregor redescobriu neste esporte a intensidade, o espírito de equipe e a competitividade que sempre o atraíram. O hóquei paralímpico é jogado em trenós, com dois tacos usados tanto para propulsão quanto para controle do disco, o que exige níveis excepcionalmente altos de coordenação e força na parte superior do corpo. Ao longo dos anos, ele progrediu até ingressar na seleção canadense, com a qual participou de diversos Campeonatos Mundiais e Jogos Paralímpicos. Seu comprometimento, consistência e liderança natural o levaram a se tornar capitão da equipe.
Capitão, mas também porta-voz do esporte paralímpico.
Além de suas performances no gelo, Tyler McGregor se dedica a aumentar a visibilidade do esporte paralímpico. Ele participa regularmente de palestras em escolas, eventos esportivos e campanhas de conscientização para incentivar a prática esportiva entre pessoas com deficiência. Sua mensagem é impactante: o acesso ao esporte é um poderoso fator de desenvolvimento da autoconfiança, da saúde e da inclusão social. Ele também enfatiza a necessidade de aumentar a visibilidade das modalidades paralímpicas, que ainda recebem pouca atenção da mídia, apesar do alto nível de competição e do espetáculo.
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A caminho de Milão Cortina 2026
Com a aproximação dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 (6 a 15 de março de 2026), Tyler McGregor continua seu treinamento com o objetivo de levar sua equipe ao mais alto nível. A disputa vai além do desempenho individual: trata-se também de representar uma geração de atletas que transformaram suas trajetórias de vida em uma força motriz para o aprimoramento pessoal.
A história dele nos lembra que o desempenho esportivo não se resume a medalhas, mas se constrói com perseverança, aceitação das dificuldades e a capacidade de se projetar, apesar de tudo, em direção a novos objetivos.
Uma fonte de inspiração que vai muito além do esporte.
A trajetória de Tyler McGregor ressoa com um público amplo, inclusive fora do mundo dos esportes. Ela ilustra concretamente como um evento traumático pode se tornar o ponto de partida para um ambicioso processo de reconstrução, sem negar a dificuldade do caminho. "Without Speech" destaca uma realidade muitas vezes invisível: por trás de cada desempenho paralímpico, existem anos de reabilitação, dúvidas, adaptações e trabalho árduo. Uma realidade que inspira respeito — e admiração.
Em última análise, Tyler McGregor representa muito mais do que um atleta de alto nível: ele é o símbolo da resiliência ativa, focado no futuro e no coletivo. Através dele, todo o esporte paralímpico ganha visibilidade, credibilidade e inspiração.
