Se para você o oceano não é apenas uma massa de água onde se pode nadar e mergulhar, mas sim um ambiente hostil repleto de criaturas com tentáculos e perigos, isso oferece algumas pistas sobre a sua personalidade. O seu medo do oceano, além de o obrigar a ficar na praia durante uma onda de calor, também revela uma parte do seu perfil psicológico. Vamos mergulhar nas profundezas da sua identidade.
Um medo que vai muito além da natação.
Para algumas pessoas, o oceano não é sinônimo de liberdade, horizontes infinitos e férias . É um território misterioso e incontrolável, onde não se consegue ver o fundo nem o que pode emergir das profundezas. Esse medo tem até um nome: talassofobia. E, ao contrário da crença popular, não se trata simplesmente de ter medo da água.
Algumas pessoas recusam passeios de barco, evitam cruzeiros ou sentem-se profundamente desconfortáveis ao se depararem com imagens do fundo do mar. Essa reação pode parecer excessiva para quem gosta de nadar, mas muitas vezes revela uma maneira particular de perceber o mundo. Embora as estatísticas sobre essa fobia ainda não sejam claras, o perfil de quem sofre com ela é bastante distinto. É relativamente fácil traçar um retrato psicológico dessas pessoas sem recorrer a generalizações.
Uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente.
Segundo a psicóloga Brandy Smith, especialista em transtornos de ansiedade, pessoas com medo de águas profundas geralmente têm dificuldade em lidar com a incerteza. "Essas pessoas costumam ter uma tendência maior a querer controlar o ambiente e se sentem desconfortáveis com o que não podem prever", explica ela na revista Parade .
O oceano incorpora tudo aquilo que está além do nosso controle: profundidade, correntes, visibilidade limitada, vida selvagem invisível e ondas traiçoeiras cuja altura é impossível de estimar. Para aqueles que gostam de planejar, organizar e manter o controle sobre os acontecimentos, essa imensidão imprevisível pode se tornar particularmente assustadora.
Uma imaginação a toda velocidade
Quem tem medo de água do mar geralmente tem muita imaginação. Onde alguns veem um simples mergulho, eles imediatamente imaginam os cenários mais alarmantes, dignos de histórias de terror. Uma onda se torna uma ameaça em potencial. Uma sombra subaquática se transforma em uma criatura perturbadora. Um passeio de barco pode dar origem a dezenas de hipóteses catastróficas.
Essa tendência de antecipar o pior não se limita ao oceano. Ela também pode se manifestar em outras situações do dia a dia, principalmente em pessoas propensas à ansiedade ou à ruminação. "Uma pessoa com uma imaginação fértil pode gerar uma grande variedade de cenários angustiantes, o que só irá exacerbar seu medo", explica a Dra. Smith. "Essa pessoa também tende a adotar uma atitude de 'sim, mas...' durante uma conversa com alguém que tenta tranquilizá-la", acrescenta ela.
Uma forte sensibilidade aos riscos
Outra característica comum é a vigilância exacerbada em relação ao perigo. Pessoas que temem águas profundas frequentemente buscam instintivamente informações sobre acidentes no mar, afogamentos ou ataques de animais. Elas examinam minuciosamente notícias sobre seu futuro destino de férias e evitam lugares onde vidas já foram perdidas.
No entanto, essa busca por conhecimento às vezes acaba tendo o efeito oposto. Em vez de tranquilizar, multiplica a ansiedade por dez. "Essa busca por informações pode aumentar a ansiedade porque é tendenciosa em relação a histórias horríveis ou cenários catastróficos", enfatiza Brandy Smith. Ao nos expormos constantemente às narrativas mais sensacionalistas, o cérebro acaba superestimando os riscos reais e alimentando ainda mais o medo.
Uma certa rigidez em relação ao conceito de segurança.
Outra característica frequentemente observada é a dificuldade em reconhecer dispositivos que podem mitigar riscos. Para os indivíduos mais ansiosos, mesmo as medidas de segurança mais confiáveis parecem insuficientes. O Dr. Smith observa que algumas pessoas com talassofobia têm dificuldade em imaginar que seja possível desfrutar da água com segurança, com supervisão adequada, colete salva-vidas ou dispositivos de flutuação.
"Essa pessoa pode ter dificuldade em acreditar que possa haver maneiras seguras e consistentes de estar em águas profundas", explica ela. "Ela pode pensar que as pessoas simplesmente tiveram sorte quando nada de ruim lhes aconteceu."
Será possível domar esse medo?
A boa notícia é que essa apreensão não é inevitável. Especialistas recomendam uma exposição gradual em vez de um confronto repentino. Observar o mar da praia, caminhar com água até os tornozelos, nadar em uma piscina funda ou participar de uma atividade supervisionada são medidas que podem ajudar a recuperar a confiança.
Como Brandy Smith nos lembra, o objetivo não é se tornar um aventureiro abissal da noite para o dia, mas aprender a distinguir os perigos reais dos cenários imaginados por nossas mentes. Porque, muitas vezes, não é o oceano em si que nos assusta, mas tudo o que projetamos em suas profundezas invisíveis.
Embora a talassofobia possa ser debilitante, às vezes vem acompanhada de qualidades valiosas, como uma forte capacidade de antecipação, um aguçado senso de observação, uma imaginação fértil e criativa e uma sensibilidade emocional aguçada. Em outras palavras, aquilo que alimenta o medo também pode ser uma força em outras áreas da vida.
