A Liga Mundial de Surfe (WSL) introduziu uma medida inovadora para apoiar atletas femininas após a licença-maternidade. A surfista francesa Johanne Defay é a primeira beneficiária, marcando um avanço significativo no esporte profissional.
Uma medida sem precedentes no surf profissional.
O "wildcard de maternidade" foi introduzido pela Liga Mundial de Surfe (WSL), o órgão regulador das competições internacionais de surfe. Essa cláusula permite que uma atleta retorne imediatamente ao circuito de elite após um período de afastamento devido à licença-maternidade.
Na prática, este convite garante a Johanne Defay uma vaga no Circuito Mundial de 2027, que reúne as melhores surfistas do mundo. Ela, portanto, não precisará passar pelas competições classificatórias, conhecidas como Challenger Series. Trata-se de um feito inédito na história do esporte e, de forma mais ampla, um forte sinal enviado por uma organização esportiva internacional.
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Johanne Defay, uma carreira já marcada pela excelência.
Figura de destaque no surfe francês, Johanne Defay se consolidou ao longo dos anos como uma das melhores surfistas do circuito. Notavelmente, ela se tornou a primeira francesa a conquistar uma medalha olímpica no surfe, ganhando o bronze nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Em março de 2025, ela anunciou que colocaria sua carreira em pausa antes de dar à luz seu primeiro filho alguns meses depois. Desde então, ela retomou os treinos, sem participar de competições oficiais. Essa nova participação por convite permite que ela considere um retorno ao mais alto nível em condições adequadas à sua trajetória profissional.
Um reconhecimento das realidades da maternidade no esporte.
A criação deste "coringa maternidade" faz parte de uma discussão mais ampla sobre o papel das atletas que são mães em competições profissionais. Historicamente, muitas atletas enfrentaram interrupções em suas carreiras sem garantia de recuperar o nível ou ranking anterior. A falta de sistemas de apoio adequados pode ser um obstáculo significativo. Com esta iniciativa, a WSL reconhece os desafios específicos associados à maternidade e busca oferecer uma solução concreta. O objetivo é permitir que as atletas conciliem suas carreiras e vidas pessoais sem serem penalizadas em termos de competição.
Uma evolução que vai além do universo do surfe.
Embora essa medida se aplique atualmente ao surfe profissional, ela faz parte de uma tendência mais ampla observada em diversos esportes. Nos últimos anos, algumas federações e organizações começaram a adaptar suas regras para melhor apoiar as atletas após a gravidez, principalmente em relação à proteção do ranking e às condições de retorno às competições. Nesse contexto, a iniciativa da Liga Mundial de Surfe (WSL) pode inspirar outras entidades esportivas a implementarem programas semelhantes.
Outros atletas envolvidos
Johanne Defay não é a única a se beneficiar dessa novidade. Outra vaga por licença-maternidade também foi concedida à surfista brasileira Tatiana Weston-Webb para a temporada de 2027. Essa dupla concessão confirma o compromisso da WSL em tornar essa medida permanente, e não uma iniciativa isolada. As reações do mundo esportivo têm sido, em geral, positivas, destacando a importância de tais mudanças para uma melhor consideração das trajetórias de vida das atletas.
Em resumo, a atribuição do primeiro convite especial para a maternidade a Johanne Defay representa um passo significativo na evolução do desporto profissional. Ao reconhecer as realidades da maternidade, a Liga Mundial de Surf está a abrir caminho para práticas mais inclusivas. Para além do surf, esta iniciativa levanta a questão da adaptação das estruturas desportivas às trajetórias pessoais dos atletas e poderá contribuir para mudanças duradouras nas regras do jogo.
