Talassofobia: quando o medo do mar invade suas férias

Enquanto algumas pessoas se deleitam com a ideia de mergulhar na água salgada, nadar entre as ondas e saltar para o oceano aberto, outras congelam ao avistar o horizonte. Você entra em pânico assim que seus pés deixam o chão? Permanece perto da costa mesmo quando o mar está calmo? Assim que a água escurece, você imediatamente imagina o pior? Esse medo profundo do mar profundo tem um nome: talassofobia. E está longe de ser um caso isolado.

Talassofobia, ou quando o mar acalma as ansiedades

Muitas pessoas contam os dias para as férias de verão, como crianças antes do Natal. Muitas sonham em nadar em enseadas isoladas, em imitar peixes em águas azul-turquesa com snorkel, em alugar catamarãs para fazer acrobacias nessa piscina gigante criada pela Mãe Natureza. No imaginário coletivo, o mar e o oceano compõem o cenário da temporada de verão e prometem férias perfeitas. No entanto, o que a maioria das pessoas considera um paraíso é como um pesadelo para quem sofre de talassofobia. Essas pessoas não apenas se recusam a praticar atividades aquáticas, como também sentem um desconforto genuíno diante das águas escuras que, com apenas alguns nós de vento, mudam de um azul translúcido para um azul profundo.

Só de pensar em estar num barco em mar aberto, sem avistar a costa, já entram em pânico. E não estamos falando de uma cabana de pescador pequena e instável que ameaça virar à menor ondulação. Até mesmo uma travessia de balsa no escuro os deixa desconfortáveis. Praticar stand-up paddle num mar envolto em mistério, cujo conteúdo é impossível de desvendar, está simplesmente fora de questão. Dar saltos de bomba do trampolim de um barco, apesar do colete salva-vidas e do calor sufocante que praticamente implora por um mergulho, também está além de suas capacidades.

Eles preferem preencher palavras cruzadas em suas cadeiras de praia a se aventurar na água, um lugar repleto de segredos e fervilhando de criaturas estranhas. Talvez você também já tenha inventado desculpas como "Eu enjoo no mar" ou "Não quero molhar o cabelo" para evitar se tornar a futura inspiração para cineastas de terror. Em termos médicos, talassofobia descreve um medo intenso, irracional e incontrolável do mar profundo. Lagos, oceanos e mares evocam não prazer, mas estresse, suor, tontura e palpitações.

Sintomas que surgem em casos de talassofobia

Embora muitos estudos afirmem que o mar é um lugar calmante , ele tem o efeito oposto em pessoas com talassofobia. Para quem sofre dessa fobia, férias à beira-mar são um verdadeiro tormento. Tudo lhes traz à memória suas ansiedades, inclusive cartazes promocionais de aulas introdutórias de mergulho. Para essas pessoas, essa imensidão de água representa uma enorme ameaça.

Mesmo com a bandeira verde e o mar sem águas-vivas, eles enxergam perigo constantemente sob as ondulações. Frequentemente chamados de "covardes", sentem, no entanto, uma verdadeira angústia interior quando não conseguem mais ver o fundo. Diante de um lago escuro, um mar um tanto vertiginoso ou até mesmo as imagens de um documentário sobre corais ou naufrágios, podem vivenciar:

  • Calafrios
  • Sudorese excessiva
  • Problemas respiratórios
  • palpitações cardíacas
  • Tonturas ou náuseas
  • Dor no peito ou sensação de aperto
  • Ataques de ansiedade

De onde vem esse medo de grandes massas de água?

A talassofobia é um medo ainda subestimado. No entanto, afeta muitas pessoas. Quem nunca perdeu toda a coragem ao passar da areia reconfortante para o vazio absoluto durante um mergulho tranquilo? Quem nunca pulou e correu para a praia a toda velocidade ao sentir uma alga roçando na perna? A talassofobia não surge de filmes de terror ambientados em águas turvas. Na realidade, o oceano guarda uma quantidade significativa de escuridão.

Até hoje, menos de 10% do fundo do oceano foi explorado por humanos… tornando-o terreno fértil para medos e imaginação. Para os humanos, que detestam perguntas sem resposta e gostam de decifrar tudo, o desconhecido é aterrorizante. Então, naturalmente, sem visibilidade, imaginamos criaturas de aparência pré-histórica com dentes afiados prontas para nos arrastar para o abismo. Não conseguimos evitar inventar cenários catastróficos. E isso é apenas a ponta do iceberg psicológico. A talassofobia também pode ter origem em traumas de infância: um mergulho que quase terminou em afogamento, um desafio que deu errado…

Como se reconectar com o mar para um verão tranquilo?

Boas notícias: a talassofobia não é inevitável, nem significa passar todos os verões grudado numa espreguiçadeira, longe da praia. Esse medo, por mais avassalador que seja, pode diminuir se você não tentar combatê-lo brutalmente. Não adianta se forçar a mergulhar em mar aberto amanhã ou aceitar um passeio de snorkel para "provar" a si mesmo que é capaz. Com fobias, a abordagem radical raramente funciona.

A abordagem mais eficaz continua sendo a exposição gradual. Comece observando o mar da praia, depois caminhe na água até os tornozelos, acostumando-se com o movimento das ondas e avançando aos poucos, sem nunca ultrapassar seu limite de tolerância. A ideia não é se apresentar ou se tornar a próxima sereia das Calanques, mas reaprender a associar o mar a uma sensação de segurança. A revista Santé Magazine, por sua vez, recomenda a hipnoterapia para se projetar mentalmente nesse mundo que causa arrepios. Ela também exalta as virtudes das terapias cognitivo-comportamentais para substituir o medo pela serenidade.

Afinal, reconectar-se com o mar não significa necessariamente atravessar o Atlântico a nado. Às vezes, basta molhar os pés na água sem imaginar que um monstro marinho se esconde sob a espuma.

Émilie Laurent
Émilie Laurent
Como uma mestra das palavras, manipulo recursos estilísticos e aprimoro diariamente a arte das frases de efeito feministas. Ao longo dos meus artigos, meu estilo de escrita ligeiramente romântico oferece algumas surpresas verdadeiramente cativantes. Deleito-me em desvendar questões complexas, como um Sherlock Holmes moderno. Minorias de gênero, igualdade, diversidade corporal… Jornalista na vanguarda, mergulho de cabeça em temas que inflamam o debate. Viciada em trabalho, meu teclado é constantemente posto à prova.

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