Numa era em que a aparência é a prioridade absoluta, muitas vezes negligenciamos as qualidades da alma, aquelas que nenhuma cirurgia pode substituir. A aparência física muda com o passar dos anos, enquanto a personalidade permanece intacta apesar da passagem do tempo. A verdadeira beleza não é vista; ela é expressa e vivida. Nesta era de Botox, preenchimento labial e procedimentos estéticos prematuros, é crucial valorizar a riqueza interior.
A personalidade precede a aparência física.
Hoje em dia, meninas de 10 anos já se preocupam com rugas que nem sequer têm, mulheres de 20 anos gastam o primeiro salário em injeções e homens viajam em massa para a Turquia para resolver problemas capilares. A aparência física deixou de ser um mero detalhe e tornou-se um critério essencial, um selo de aprovação estética, até mesmo um elemento de charme.
No entanto, é apenas uma fachada, uma mera vitrine. Se, em uma livraria, a capa de um livro é o primeiro elemento visual que nos chama a atenção, o conteúdo importa muito mais do que a forma. Bem, o mesmo se aplica aos seres humanos. Certamente, a aparência física é importante, mas a personalidade prevalece e pode conquistar nossos corações.
Ao contrário da aparência física, a personalidade raramente muda. É impossível disfarçar a verdadeira natureza de alguém: ela sempre ressurge com força total, apesar de todas as tentativas de ocultação. Mais autêntica, mais genuína e menos maleável, a personalidade é o nosso bem mais precioso. Em um estudo publicado na revista Archives of Sexual Behavior, pesquisadores brasileiros descobriram dois atributos mais marcantes do que lábios carnudos e uma silhueta curvilínea.
Essas características fazem toda a diferença.
Neste estudo de grande escala, realizado com 778 brasileiros cisgêneros com idades entre 18 e 64 anos, os pesquisadores apresentaram aos participantes um exercício simples. O objetivo? Criar um retrato falado de seu parceiro ideal. E não se tratava de juntar partes de modelos de revista para formar um único corpo. O objetivo era desenvolver um perfil psicológico do parceiro ideal. Eles receberam pontos que podiam distribuir como quisessem entre cinco características: inteligência, gentileza, atratividade física, saúde e nível socioeconômico.
E, contrariando todas as expectativas, os entrevistados atribuíram maior valor à inteligência e à gentileza. De acordo com este estudo esclarecedor e profundamente reconfortante, esses são critérios essenciais, as peças-chave do quebra-cabeça psicológico. Embora, na linguagem do amor, dizer "você é gentil" seja às vezes uma forma educada de rejeitar as investidas de alguém, parece que essa expressão diz muito.
Em outras palavras, inteligência combinada com gentileza supera aparência física e condição financeira. A moral da história: é melhor aprimorar e valorizar o que você já tem do que desejar o que não tem. "De qualquer forma, se você quer atrair mais parceiros em potencial, investir no seu intelecto e na sua personalidade parece ser o seu maior trunfo", disse João Francisco Goes Braga Takayanagi ao PsyPost .
A beleza reside em outro lugar que não o corpo.
Numa era em que é quase normal aplicar creme anti-idade aos 18 anos e em que a beleza se reduz a uma competição vulgar de semelhança, a beleza interior parece um conceito distante. Numa época intolerante ao envelhecimento e pró-cirurgia estética, esquecemo-nos com demasiada frequência de celebrar as qualidades que escapam aos olhos, mas que falam ao coração.
Mas por trás de um nariz adunco, um sorriso torto, bochechas rechonchudas ou óculos de lentes grossas, esconde-se um tesouro inestimável: altruísmo, empatia, generosidade, humor e inteligência. O corpo é apenas um cofre de joias repleto de diamantes.
Portanto, não tenha medo de ser você mesmo em situações sociais e expressar sua personalidade. Essas qualidades, que muitas vezes são elogiadas , mas nem sempre valorizadas em sua verdadeira importância, são seus pontos fortes.
