As marcas de nascença são como arte corporal, marcadores de identidade. São tatuagens naturais que estampam a pele como aquarelas. Elas vêm em diferentes formatos e tamanhos, e algumas são mais sutis do que outras. A marca de nascença da criadora de conteúdo Keera Bageera não é "muito proeminente", mas cria a ilusão de um cavanhaque sob o queixo. Em vez de raspar essa parte com pelos, ela decidiu destacá-la.
Uma marca de nascença diferente de qualquer outra.
Não existem duas marcas de nascença iguais. Cada uma é uma impressão única, às vezes semelhante a um mapa, outras vezes a um desenho de Rorschach. Escondida sob a roupa, na sombra de uma camiseta ou calça, ou ousada e proeminente, uma marca de nascença é como nossa marca registrada, nossa assinatura pessoal. Às vezes, ela se estende para partes visíveis do corpo, outras vezes é notada com um carinho.
A tatuagem feita pela criadora de conteúdo indiana @keerabageera_ é quadridimensional. Ela não se limita a colorir a pele e preencher as áreas vazias do corpo; ela se estende além do queixo, dizendo silenciosamente: "Eu estou aqui". Os internautas, que inicialmente pensaram ser um resquício de cílios postiços, não paravam de apontar para ela, como se ela não tivesse um espelho para se ver.
Essa marca de nascença peluda, que brotou sob seu queixo e se estende formando um longo tufo, cresce há mais de dez anos, como um fio de cabelo. Não se trata de uma pinta com alguns pelos, mas sim de uma obra mais precisa da genética. Longe de ceder à tentação de raspar e aparar essa peculiaridade física do rosto, ela decidiu acentuar sua presença.
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Um monte de peles transformado em um detalhe encantador
Durante muito tempo, a jovem aparou essa pequena mecha de cabelo para que desaparecesse do rosto. A cultura popular reforçou sua escolha, associando essa característica física a bruxas reclusas ou desleixadas. Sob a pressão dos padrões sociais, ela se submeteu a esse ritual estético satânico durante toda a adolescência, até ter uma revelação. O que antes via como uma desgraça, agora vê como um emblema, até mesmo uma obra de arte.
O que antes ela cortava com a parte de trás da tesoura, agora ela pinta com creme colorido e estiliza num bigode sedoso. Ela cuida da sua marca de nascença peluda com a mesma ternura e amor que dedica aos seus cabelos cacheados . Aliás, esse pequeno tufo de cabelo tornou-se uma extensão da sua personalidade, uma fonte de criatividade. No Halloween, ela amarrou fios brilhantes nele e, no dia a dia, experimenta cores que jamais ousaria usar no próprio cabelo. Ela aplica rímel azulado e o personaliza de acordo com o seu humor.
Ela não precisa de joias com esse detalhe embutido: ela varia seus looks e estilos onde outras pessoas recorreriam a cremes depilatórios e ao doloroso processo de depilação com cera. Se antes ela travava uma guerra com sua marca de nascença peluda, agora a convivência é mais pacífica. Afinal, essa marca que adorna seu queixo faz parte do seu DNA, é o seu emblema.
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Brinque com seu reflexo em vez de culpá-lo.
O que a criadora de conteúdo nos ensina é simples, mas tão difícil de colocar em prática. Ela nos ensina a desapegar e nos mostra o que é a verdadeira autoexpressão. Enquanto as pressões sociais inventam defeitos onde só existe singularidade, a criadora de conteúdo nos ensina a amar o que a sociedade nos força a odiar. Em vez de lamentar seu destino e tentar ser outra pessoa, ela valoriza o que já possui.
Aquela mecha de cabelo que se enrola sob o queixo não é um "desperdício", como afirmam seus detratores. É um traço a mais, um complemento estilístico, um toque de personalidade. Num mundo onde todos os rostos são imitados, ela preserva o que a torna única.
Essa marca de nascença, portanto, não é uma fonte de insegurança, mas um campo de expressão. Não é um mero tufo de cabelo, mas um buquê à vista de todos.
