Nas academias, as paredes são cobertas de espelhos do chão ao teto. É impossível escapar do próprio reflexo. Embora essas superfícies refletoras sejam bastante úteis para verificar nossa postura durante agachamentos, ajustar nossos passos na aula de dança ou descobrir novos músculos em desenvolvimento, elas nem sempre fornecem uma imagem fiel à realidade. Tão enganosas quanto os espelhos dos provadores, elas distorcem nossa aparência, como demonstra um vídeo.
Espelhos de academia, esses mentirosos.
As academias são como vastos salões de espelhos ou aquelas atrações de parque de diversões que multiplicam nosso reflexo para nos desorientar. Entre as máquinas de musculação, halteres numerados, kettlebells e equipamentos de cardio, os espelhos funcionam como papel de parede, cobrindo o espaço do chão ao teto. Reconfortantes para alguns, intimidantes para outros, eles reinam absolutos nas academias, como um tapa na cara.
Os mais confiantes admiram seus físicos tonificados, enquanto os mais tímidos evitam olhar para eles e desviam o olhar para não sentirem pena de si mesmos. Sua onipresença não é apenas uma questão de direção artística. Eles servem como guia para a execução dos movimentos. Permitem que corrijamos nossa técnica e trabalhemos as partes certas do corpo para evitar dores lombares após os exercícios de agachamento. No entanto, esses espelhos, que supostamente refletem nosso progresso e exibem nosso físico como ele é, permitem algumas alterações sutis. Em vez de apresentar nossos corpos de forma autêntica, eles nos fazem parecer menores na cintura e dão a ilusão de termos emagrecido entre os treinos.
É exatamente isso que o vídeo de @johnnyfaisle destaca. O criador de conteúdo, que mantém uma espécie de diário existencial, filmou os espelhos na seção feminina e repetiu o mesmo processo na masculina. No primeiro, seu corpo aparece alongado, magro, quase sem forma, como se tivesse sido aplicado um filtro do Instagram. No segundo, ele parece mais natural aos olhos humanos. "Espelhos que emagrecem deveriam ser proibidos", ele protesta.
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Uma silhueta que não guarda qualquer semelhança com a autêntica.
Os espelhos de academia são como os espelhos de provador: enganam nosso olhar e nos fazem acreditar em uma silhueta que não tem nenhuma semelhança com quem realmente somos. É uma falsificação pura, uma traição, e diante desse reflexo falso, nossa confiança desmorona. Enquanto os espelhos masculinos são projetados com precisão e refletem os corpos sem alterações, os espelhos femininos são moldados pelo culto à magreza, influenciados por ditames sociais. O que eles mostram não é o nosso verdadeiro eu, mas uma versão supostamente "melhorada" de nós mesmas.
Longe de ter o mesmo efeito que teve em Narciso ou na madrasta da Branca de Neve, este espelho nos acostuma a um corpo que não nos pertence. Ele amputa alguns músculos visíveis, generosas dobras de gordura e encolhe nossa silhueta como uma secadora encolhe nossos preciosos suéteres de cashmere.
Em vez de aumentar nossa autoestima, pode causar uma terrível dismorfia corporal. Nos comentários, frequentadores assíduos de academias dizem que a ilusão de ótica é ainda pior do outro lado do vestiário feminino. "É uma farsa." "Filtros na vida real." "Não ajuda ninguém." Usuários da internet condenam unanimemente essa estratégia de marketing que brinca com nossa confiança.
A aposta benevolente dos cinemas sem espelhos
Nos comentários do vídeo do criador de conteúdo, um internauta sugeriu a remoção desses espelhos ilusórios das paredes e, em algumas academias, os gerentes não esperaram por uma reação coletiva para tomar essa iniciativa. Em alguns templos do fitness, essa postura é até mesmo adotada em prol da aceitação do próprio corpo. Por trás das portas da Form Fitness, no Brooklyn, não há espelhos à vista, nem qualquer convite à autossabotagem ou à autocrítica. Segundo o fundador dessa academia discreta, esse espelho intrusivo pode ser particularmente difícil de encarar.
Enquanto Narciso sucumbiu ao seu amor-próprio excessivo, para as mulheres, a maldição é inversa. Quanto mais elas se olham no espelho, menos gostam de si mesmas. "Naturalmente, passamos por esse processo de autoavaliação, que consiste em comparar o 'eu atual' com o 'eu ideal'", explica ele. "Como a maioria de nós não vive no eu ideal, existe uma lacuna entre os dois, e essa lacuna gera desconforto", descreve Jeff Katula , pesquisador da área de esportes na Universidade Wake Forest. Experimentamos uma insatisfação perpétua diante desse espelho, que reflete nossas inseguranças.
Especialistas na área, que entendem de músculos melhor do que de tabuada, recomendam filmar a si mesmo com o celular. É verdade que as imagens capturadas pelo aparelho não são totalmente imparciais, mas são mais toleráveis do que as de um espelho enganoso. Dessa forma, você pode aprimorar seus movimentos sem ter que passar por esse confronto consigo mesmo, ou terminar com músculos definidos, mas com o ego ferido.
