Às vezes, temos a estranha sensação de sermos a ovelha negra do nosso grupo de amigos, os últimos a saber dos encontros no café, a peça que falta nas conversas do WhatsApp, o membro indesejado do grupo. Forçados ao isolamento, somos espectadores de um entendimento mútuo do qual participamos apenas à distância. Somos informados dos acontecimentos no último minuto ou só ficamos sabendo deles depois que já aconteceram. Os psicólogos têm um nome para isso: é o perfil típico do "amigo marginal".
Esboço composto do amigo marginalizado
Dentro de um grupo de amigos, existe uma hierarquia invisível, mas bem orquestrada: o líder, os seguidores e a ovelha negra, que luta por reconhecimento coletivo e precisa se esforçar constantemente para se sentir incluída. Esse amigo, que ninguém espera encontrar fora de um restaurante e cuja ausência dificilmente seria notada, é quase um figurante. De longe, ele se assemelha àquele colega de classe um pouco rejeitado que tenta se enturmar com grupos já estabelecidos. Os psicólogos o apelidaram de "amigo marginal", um adjetivo poderoso que ilustra uma rejeição inconsciente.
Eles são a quinta roda, a pessoa que fica em segundo plano, aquela que nunca tem voz e que ninguém consulta antes em reuniões importantes. Fazem parte do grupo, mas às vezes se sentem como um estranho, um excluído. Também conhecidos como o amigo reserva, são contatados para preencher uma reserva em uma sala de fuga ou para aproveitar um desconto para grupos, mas são esquecidos quando se trata de encontros menores ou festas do pijama ultrassecretas como a da Jenny em Gossip Girl.
Ele é um pouco excluído, apesar de si mesmo. É deixado de lado, nunca entende o significado das piadas internas e, o mais importante, é automaticamente colocado na berlinda. Nas páginas da revista Self , a psicóloga Christina Ferrari lista os sinais que comprovam que você pode ser esse amigo marginal, mais conhecido como "substituto".
A última pessoa a ser notificada quando houver passeios.
O amigo excêntrico fica sabendo dos passeios por meio de boatos ou depois de uma gafe monumental. Conversas que lembram reuniões de Tupperware surgem entre pixels sem que ele jamais seja incluído na discussão. Ele sempre se depara com um fato consumado, acompanhado de frases um tanto hipócritas como "você pode vir se quiser" ou desculpas esfarrapadas como "o bar já estava lotado".
O especialista coloca as coisas em perspectiva: "Ocasionalmente, não é motivo de preocupação." Pode ser simplesmente um problema de organização ou falta de comunicação. No entanto, se isso se tornar um hábito, significa que você não é considerado igual aos seus amigos.
Nunca fui consultado para organizar eventos.
Seja para uma ida às compras, uma refeição ao ar livre no parque local ou um dia na piscina, o amigo excluído está sempre em segundo plano. Ele é o eterno esquecido. Só descobre o código de vestimenta quando chega à porta do restaurante e surpreende seus supostos amigos com tatuagens de glitter combinando, sem nunca ter visto uma única foto inspiradora do Pinterest aparecer no grupo de bate-papo original.
Talvez seus amigos tenham uma conversa paralela, um "segundo" grupo reservado para a elite. Como nos lembra o psicólogo, "não se trata de estar incluído em tudo", porém, há sinais que revelam o que os mais envolvidos estão mantendo em silêncio.
O pedido sempre parte de você.
A amiga nada convencional sempre tem que lutar para ver seu grupo de amigos, que competem para inventar desculpas para recusar todos os convites. "Não é uma boa hora." "Estou muito ocupada." "A gente conversa mês que vem, tá bom?" Mas aí ela se depara com um story no Instagram de uma delas, sorrindo e brindando com as amigas. É uma amizade unilateral. As amigas que se importam percebem nossa ausência; não se alegram.
Sugestões de uma psicóloga para se libertar desse estado.
A pior coisa de se sentir excluído é que você acaba analisando tudo. O convite que nunca chega. A piada que todo mundo entende, menos você. A foto em grupo onde você descobre que a festa aconteceu… sem você. Você pode falar sobre isso, correndo o risco de parecer sensível demais. Ou pode ficar em silêncio e continuar se perguntando o que fez de errado. Nenhum dos dois cenários é particularmente atraente.
Se você optar por tocar no assunto, não precisa fazer alarde. Um simples "Adoro passar tempo com você. Lembre-se de mim da próxima vez!" costuma ser suficiente. É direto, descontraído e não acusatório. Mas talvez o verdadeiro problema esteja em outro lugar. Em vez de tentar desesperadamente conquistar seu lugar em um grupo, pergunte-se: por que investir tanta energia onde você precisa constantemente provar que merece estar ali?
Então, em vez de buscar aprovação que nunca chega, abra outras portas. Convide aquele colega com quem você sempre conversa sem problemas. Retome o contato com aquele amigo com quem você perdeu contato. Aceite aquele convite que você normalmente recusaria. Às vezes, a melhor resposta para se sentir excluído não é encontrar o seu lugar a qualquer custo. É ir aonde um lugar já está esperando por você.
